Isso é uma rotina que você precisa fazer. A bateria LFP tem uma particularidade: no meio da carga, a tensão muda muito pouco. Então o BMS não consegue saber o percentual exato olhando só para a tensão.
O BMS é o sistema que acompanha a bateria inteira: mede corrente, tensão e temperatura e estima quanto realmente resta. Para essa estimativa não ficar “andando”, ele precisa reconhecer dois pontos reais:
- 100% = referência do cheio;
- bateria bem baixa = referência do vazio.
O ritual do ORA 5
Toda semana: 100% em carga lenta
Carregue até 100% uma vez por semana, em corrente alternada (CA), sem pressa. Para essa rotina, prefira carregador portátil ou wallbox de 3 a 7 kW. Não é para fazer isso em carregador rápido DC.
Pode começar em 50%, 70% ou 90%. O importante é o carro chegar a 100% e o BMS reconhecer o topo.
No máximo a cada seis meses: de 10% a 100%
- Use o carro até chegar a aproximadamente 10%. Não precisa chegar a zero.
- Conecte em carga lenta CA e carregue direto até 100%.
- Depois de marcar 100%, se puder, deixe conectado mais uma hora para terminar o balanceamento.
Essa etapa dá ao BMS as duas referências na mesma rotina: ele vê cerca de 10% e depois o ponto cheio. Se o percentual ou a autonomia parecem incoerentes, esse é o procedimento que ajuda o sistema a se orientar novamente.
Não é um tratamento para aumentar a vida útil da bateria. É uma calibração da leitura: o carro continua tendo a mesma capacidade física, mas o percentual e a autonomia estimada tendem a ficar mais coerentes.
A GWM recomenda carga completa periódica no manual do ORA 5 e explica que a etapa final fica mais lenta quando a bateria está muito carregada. A rotina abaixo de 10% e a hora extra são uma prática conservadora de calibração; não significam que você deva rodar até zero.
Fontes: Manual do proprietário do ORA 5 — GWM Brasil, seção “Carregamento lento” e ficha técnica oficial.
Resumo: toda semana, 100% em carga lenta CA; no máximo a cada seis meses, 10% → carga lenta até 100% → mais uma hora conectado.